Pesquisa Diagnóstico e Imagiologia 24 de abril de 2026
Erickson et al. (2026)

Diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo: Dor na Mão e Alterações Sensitivas — Evidências Mais Recentes das Diretrizes de Prática Clínica - Parte 1: Exame e Diagnóstico

Diagnóstico da síndrome do túnel do carpo

Introdução

Dor na mão e défices sensoriais são apresentações frequentemente difíceis na prática de fisioterapia. Esta nova diretriz de prática clínica, agora lançada, traz insights atualizados sobre avaliação e manejo da dor em extremidades, dando continuidade às diretrizes de 2019. A mão e o membro superior podem ser especialmente complexos devido à sua anatomia intrincada, o que pode deixar os clinicos inseguros ao avaliar e tratar condições como síndrome do túnel do carpo.

Esta revisão tem como objetivo apresentar as evidências mais recentes — incluindo testes clínicos validados, questionários e procedimentos diagnósticos — para apoiar fisioterapeutas a lidar com as apresentações muitas vezes complexas de dor na mão e défices sensoriais e, assim, reforçar a confiança na tomada de decisão clínica. Esta revisão de pesquisa é a primeira de uma série de dois artigos para o Physiotutors, focada na apresentação clínica e na avaliação da dor na mão e dos défices sensoriais para o diagnóstico de síndrome do túnel cárpico. O segundo artigo vai explorar medidas de desfecho e estratégias de intervenção.

 

Métodos

Esta atualização da diretriz de prática clínica (DPC) para o manejo não cirúrgico da síndrome do túnel do carpo foi desenvolvida por especialistas em conteúdo nomeados pela American Physical Therapy Association (APTA) Orthopedics e pela APTA Hand and Upper Extremity. 

Os autores realizaram uma revisão sistemática da literatura publicada entre novembro de 2018 e maio de 2025. Os artigos foram avaliados de forma independente por dois revisores, com base em critérios predefinidos de inclusão e exclusão (detalhados no Apêndice B), e quaisquer discordâncias foram resolvidas por um terceiro revisor. A extração de dados e a avaliação do nível de evidência também foram feitas por dois revisores, usando critérios adaptados do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine, e os estudos foram organizados da melhor para a pior qualidade.

Diagnóstico da síndrome do túnel do carpo
De: Erickson et al., J Orthop Sports Phys Ther. (2026)

 

As recomendações foram desenvolvidas com base na força e na relevância das evidências, bem como na consideração de benefícios, riscos e aplicabilidade clínica, e foram acordadas pelo grupo completo de desenvolvimento. Foram tomadas medidas para garantir transparência e minimizar vieses, incluindo a declaração de conflitos de interesse e a manutenção da independência em relação aos organismos financiadores. A diretriz foi ainda revisada por um painel amplo de especialistas, partes interessadas e pelo público para garantir precisão e completude. Publicada em 2026, a diretriz será reavaliada em 2031 ou antes, caso novas evidências se tornem disponíveis.

Diagnóstico da síndrome do túnel do carpo
De: Erickson et al., J Orthop Sports Phys Ther. (2026)

 

Diagnóstico da síndrome do túnel do carpo
De: Erickson et al., J Orthop Sports Phys Ther. (2026)

 

Resultados

Esta Parte 1 vai se concentrar nos achados sobre prevalência e incidência, fisiopatologia da síndrome do túnel do carpo, evolução clínica, fatores de risco e avaliação. A próxima revisão, que será publicada na próxima semana, vai abordar as estratégias de tratamento. 

Prevalência e incidência 

A síndrome do túnel do carpo afecta aproximadamente 14,4% da população mundial, com prevalência mais elevada nos países de maior rendimento e em pessoas com diabetes (até 39%). É mais comum nas mulheres do que nos homens, sobretudo na meia-idade, e a incidência varia consoante a ocupação: é significativamente maior nos trabalhadores manuais do que nos funcionários administrativos.

Fisiopatologia

A síndrome do túnel do carpo é causada principalmente pelo aumento da pressão dentro do túnel do carpo, o que leva à isquemia do nervo mediano, edema intraneural e, eventualmente, fibrose do nervo e das estruturas ao redor. Alterações fibroticas, especialmente na bainha tenossinovial, podem ainda comprimir o nervo e reduzir o espaço disponível, contribuindo para o aparecimento dos sintomas. Esses processos parecem refletir uma resposta inflamatória crónica de baixo grau, com evidências de envolvimento tanto de fibras nervosas pequenas quanto grandes. Estudos de imagem (por exemplo, ultrassom) frequentemente mostram aumento do volume do nervo mediano e alterações no fluxo sanguíneo, sobretudo nas fases iniciais. A inflamação sistémica também pode ter um papel, ao prejudicar a microcirculação do nervo e favorecer a fibrose por mecanismos mediados pelo sistema imune. Além disso, a fibrose pode reduzir a mobilidade normal do nervo dentro do túnel do carpo. Ainda assim, não está claro se inflamação e fibrose são causas ou consequências da compressão do nervo.

Curso clínico

A síndrome do túnel do carpo geralmente se apresenta com dormência, parestesia e dor na distribuição do nervo mediano, frequentemente começando com sintomas noturnos e queixas funcionais como deixar cair objetos. À medida que a condição evolui, os pacientes podem desenvolver fraqueza dos músculos tenares, levando à redução da força de preensão e de pinça; em casos graves, pode haver atrofia tenar visível e perda da oposição do polegar. A compressão avançada ou prolongada pode causar um comprometimento funcional significativo, às vezes irreversível mesmo após a liberação cirúrgica. A síndrome do túnel do carpo pode surgir de forma aguda (por exemplo, após trauma, inflamação ou durante a gravidez), mas com mais frequência tem início gradual. Embora muitas vezes seja classificada como leve, moderada ou grave, a graduação clínica baseada apenas nos sintomas continua difícil.

A dor é uma característica marcante em muitos doentes e pode prejudicar a qualidade de vida, sendo que uma parcela significativa apresenta dor moderada a intensa ou de característica neuropática. Maior gravidade da dor está associada a maior duração dos sintomas, déficits sensoriais, fraqueza tenar e fatores psicossociais como catastrofização da dor, ansiedade e depressão. Algumas pessoas também apresentam sintomas que se estendem além da distribuição do nervo mediano, sugerindo possível sensibilização central, embora a avaliação clínica disso continue sendo um desafio e a evidência seja mista. Os fatores psicossociais parecem influenciar a gravidade dos sintomas e podem afetar os desfechos, especialmente após cirurgia, enquanto a atividade física pode ter um efeito protetor sobre a dor e a saúde mental. De modo geral, a síndrome do túnel do carpo é uma condição multifatorial, com curso clínico variável, influenciado tanto por mecanismos periféricos quanto centrais.

Diagnóstico, avaliação e classificação 

O diagnóstico da síndrome do túnel do carpocontinua sendo desafiador pela ausência de um padrão de referência verdadeiro. O exame eletrodiagnóstico (EDX) é comumente usado para avaliar a função das grandes fibras nervosas mielinizadas, detectar desmielinização ou perda axonal e diferenciar a síndrome do túnel do carpo de outras neuropatias. Ainda assim, ele não avalia a função das fibras pequenas nem todos os sintomas sensoriais. A classificação da gravidade com base no EDX não é padronizada, e alguns pacientes com sintomas podem ter resultados normais, mas ainda assim se beneficiar do tratamento. O ultrassom diagnóstico (US) complementa a avaliação ao identificar alterações estruturais, especialmente o aumento do nervo mediano, embora seu papel na estratificação de gravidade permaneça inconsistente.

Liberação do túnel do carpo

Embora muitos pacientes sejam tratados de forma conservadora, uma parcela considerável é submetida à liberação do túnel do carpo (LTC), uma cirurgia comum e, em geral, eficaz — mas o acesso varia bastante entre os países devido a diferenças nos tempos de espera. A tomada de decisão clínica sobre quando encaminhar para cirurgia é complexa e deve integrar a história subjetiva e os achados objetivos, já que não existem limiares claros. Fatores como atrofia tenar, longa duração dos sintomas, sintomas persistentes ou graves e falha prévia de tratamento podem orientar a consideração para encaminhamento cirúrgico.

Fatores de risco 

Os fatores de risco são apresentados na Tabela 5. Os mais importantes são: 

  • Obesidade 
  • Sexo feminino
  • Idade 
  • esforços vigorosos e repetitivos de preensão manual ocupacional
  • Tipos de trabalho como agricultura, trabalho manual e indústria 
Diagnóstico da síndrome do túnel do carpo
De: Erickson et al., J Orthop Sports Phys Ther. (2026)

 

Exame

A avaliação de doentes com suspeita de síndrome do túnel do carpo tem como objetivo diferenciar esta condição de outras semelhantes, identificar limitações e determinar se o doente é adequado para uma abordagem sem cirurgia. Como não existe um diagnóstico de síndrome do túnel do carpo considerado padrão-ouro, os clínicos precisam integrar os achados de uma anamnese detalhada e de um exame objetivo — incluindo a triagem para possível envolvimento nervoso proximal e para múltiplos locais de compressão.

Categoria B: Os clínicos devem usar o diagrama de sintomas da mão (HSD) de Katz e Stirrat para caracterizar a distribuição dos sintomas, pois isso demonstra uma acurácia diagnóstica moderada a elevada.

Categoria C: Os clínicos podem usar tanto o questionário de Katz e Stirrat para HSD como o de Kamath e Stothard como ferramentas de triagem inicial, sobretudo em síndrome do túnel do carpo relacionada ao trabalho, já que ambos apresentam boa sensibilidade e especificidade, embora ainda seja necessária validação adicional.

Testes provocativos

Os testes provocativos são usados para reproduzir os sintomas e avaliar a irritabilidade do nervo mediano em casos suspeitos de síndrome do túnel do carpo, mas nenhum teste isolado é suficiente para o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo, e os resultados precisam ser interpretados dentro de uma avaliação clínica mais ampla.

Categoria B: Os clínicos devem usar o teste de Phalen, sinal de Tinel e teste de compressão do túnel do carpo (Durkan) para apoiar o diagnóstico, pois mostram utilidade diagnóstica moderada — e, em geral, o teste de Durkan apresenta a maior precisão. 

Outros testes, como o teste de elevação da mão e o teste de Phalen cronometrado, mostram especificidade promissora, mas ainda precisam de validação adicional. Os testes neurodinâmicos têm menor valor diagnóstico e são mais indicados para avaliar a mecanossensibilidade do nervo, enquanto o teste de colapso por coçar não é recomendado devido à sensibilidade e confiabilidade fracas.

Testes diagnósticos e medidas sensoriais

O teste sensitivo e motor é útil para avaliar o grau de comprometimento do nervo e as limitações funcionais, mas não consegue confirmar o diagnóstico de síndrome do túnel do carpo sozinho.

Grau A: Os clínicos devem usar o teste do monofilamento de Semmes-Weinstein (SWMT), pois ele demonstra boa confiabilidade e correlação com a gravidade da síndrome do túnel do carpo.

Classificação B: Os clínicos devem usar a discriminação estática de dois pontos (2PD) para avaliar a densidade da inervação sensitiva em pessoas com suspeita de síndrome do túnel do carpo.

Categoria C: Os profissionais podem avaliar a força de preensão e de pinça (tripé ou ponta) e examinar a função da mão usando o PPB ou o DMPUT em pessoas com suspeita de síndrome do túnel do carpo, comparando os resultados com valores normativos estabelecidos.

Grau F: Os clínicos podem avaliar a atrofia tenar, que é altamente específica para a síndrome do túnel do carpo grave, mas não tem quantificação padronizada e nem utilidade diagnóstica bem estabelecida.

Testes diagnósticos e medidas sensoriais: Testes em combinação

Combinar vários testes clínicos em uma bateria de testes melhora a precisão no diagnóstico da síndrome do túnel do carpo em comparação com usar testes isolados apenas.

Grau B: Os profissionais devem usar a Síndrome do Túnel do Carpo-6 (carpal tunnel syndrome-6), pois integra achados subjetivos e objetivos e demonstra melhor desempenho diagnóstico do que testes isolados, com pontuações ≥12 a indicarem uma alta probabilidade de síndrome do túnel do carpo. A precisão pode ser ainda melhor quando combinada com ultrassom, embora continue eficaz como ferramenta independente.

 

Perguntas e reflexões

As características diagnósticas da síndrome do túnel do carpo (síndrome do túnel do carpo) ainda precisam de mais esclarecimentos. Os clínicos devem avaliar de forma sistemática todo o trajeto do nervo mediano para identificar possíveis locais de compressão, como parte de um possível mecanismo de “duplo esmagamento”. De facto, o nervo mediano pode ser comprimido em múltiplas interfaces anatómicas, contribuindo para os sintomas ao longo da sua distribuição. Neste contexto, a CPG destaca a importância de rastrear a coluna cervical e outros possíveis locais de compressão proximal durante a avaliação clínica.

Quanto às ferramentas diagnósticas, a ultrassonografia (US) parece promissora e pode oferecer boa validade e confiabilidade na avaliação da síndrome do túnel do carpo. Ainda assim, os testes eletrodiagnósticos (EDX)—que continuam amplamente utilizados em contextos clínicos e de pesquisa—têm limitações importantes, sobretudo por não conseguirem avaliar fibras nervosas pequenas não mielinizadas (C e A-δ), que são contribuintes-chave para a dor. Isso levanta preocupações sobre a validade geral das abordagens diagnósticas tradicionais.

Algumas evidências ilustram essas limitações. Por exemplo, um estudo relatou que o teste eletrodiagnóstico (EDX) demonstrou maior sensibilidade (87%), mas baixa especificidade (27%), enquanto a ultrassonografia (US) mostrou menor sensibilidade (76%), mas especificidade melhor (51%). Vale destacar que este estudo avaliou ambas as modalidades em relação à Síndrome do Túnel do Carpo-6 (síndrome do túnel do carpo -6), que é recomendada nas diretrizes atuais como ferramenta diagnóstica de grau B. Em geral, ambas as modalidades apresentam limitações, e a precisão diagnóstica ainda é alvo de debate.

 

Fale comigo sobre nerdices

A falta de um padrão diagnóstico claro e confiável para a síndrome do túnel do carpo levanta preocupações importantes sobre como interpretar a literatura atual. Embora as diretrizes de prática clínica (CPGs) consolidem a melhor evidência disponível, a incerteza no diagnóstico e na classificação continua sendo uma limitação central. A recomendação de avaliar múltiplos possíveis locais de compressão ao longo do nervo mediano sugere que a síndrome do túnel do carpo pode se sobrepor a outras condições, como a síndrome do duplo esmagamento ou a síndrome do desfiladeiro torácico. Essa sobreposição complica tanto o diagnóstico quanto a interpretação dos resultados na pesquisa.

A maioria dos estudos que investigam intervenções para a síndrome do túnel do carpo dependem de diagnósticos estabelecidos por testes de eletrodiagnóstico ou por ultrassom. No entanto, essas ferramentas podem não distinguir adequadamente entre diferentes patologias que afetam o nervo mediano, o que pode levar a populações de estudo heterogéneas e a efeitos do tratamento menos claros na síndrome do túnel do carpo. Embora amostras grandes em diretrizes de prática clínica (CPGs) ofereçam forte poder estatístico, elas também podem mascarar a variabilidade individual e limitar a aplicabilidade de recomendações generalizadas para pacientes específicos — reforçando a importância do raciocínio clínico e de uma abordagem individualizada e de precisão.

Por fim, a classificação da gravidade continua sendo um problema. As ferramentas atuais usadas para categorizar a gravidade da síndrome do túnel do carpo não têm validade suficiente, o que pode, por sua vez, contribuir ainda mais para a heterogeneidade das populações estudadas e influenciar a interpretação dos resultados das intervenções.

 

Mensagens para levar para casa

  • O diagnóstico da síndrome do túnel do carpo continua sendo clínico e multifatorial, já que ainda não existe um verdadeiro padrão-ouro. Os fisioterapeutas precisam combinar história subjetiva, avaliação objetiva e raciocínio clínico, em vez de depender de um único teste.
  • Nenhum teste isolado é suficiente para diagnosticar síndrome do túnel do carpo. Os testes provocativos (Phalen, Tinel, Durkan) devem ser usados como parte de uma avaliação mais abrangente, com o teste de compressão do carpo (Durkan) apresentando a maior utilidade diagnóstica.
  • Questionários validados melhoram a acurácia diagnóstica, especialmente o diagrama de sintomas das mãos de Katz e Stirrat e o Carpal Tunnel Syndrome-6 (CTS-6), que integra achados subjetivos e objetivos e aumenta a probabilidade de diagnóstico.
  • Testar a sensibilidade é essencial para graduar a incapacidade, e não para confirmar um diagnóstico. O teste do monofilamento Semmes-Weinstein e a discriminação de dois pontos são as medidas mais confiáveis para avaliar a gravidade e a perda sensorial.
  • Os testes eletrodiagnósticos (EDX) e a ultrassonografia são úteis, mas não são perfeitos.
    • O EDX avalia a função das fibras grandes, mas não detecta o envolvimento das fibras pequenas e pode resultar normal em pacientes com sintomas.
    • O ultrassom detecta alterações estruturais, mas não tem uma classificação de gravidade padronizada.
  • A síndrome do túnel do carpo não é apenas um problema local. Os clínicos devem rastrear envolvimento proximal (coluna cervical, mecanismo do double crush) e considerar condições neuropáticas sobrepostas.
  • A dor costuma ser um componente importante, e fatores psicossociais (catastrofização, ansiedade, depressão) podem influenciar de forma relevante a gravidade dos sintomas e os resultados.
  • Os fatores de risco são consistentes e clinicamente relevantes: sexo feminino, idade, obesidade e trabalho manual repetitivo e de alta carga aumentam a probabilidade de síndrome do túnel do carpo.
  • Combinar testes melhora a precisão diagnóstica. Uma abordagem em bateria de testes (anamnese + testes clínicos + CTS-6 ± imagem) é mais confiável do que achados isolados.
  • A classificação clínica da gravidade continua inconsistente, o que significa que os fisioterapeutas devem priorizar o impacto funcional e a apresentação do paciente em vez de sistemas de estadiamento rígidos.

 

Referência

Erickson M, Lawrence M, Lazinski MJ, Scott K, Martin RL. Dor na mão e déficits sensoriais: Síndrome do túnel do carpo: Revisão 2026. J Orthop Sports Phys Ther. Abr 2026;56(4):CPG1-CPG79. doi: 10.2519/jospt.2026.0301. PMID: 41919928.

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